Defesa pela Reestruturação de Ativos em Ciclos de Estagflação
Os recentes movimentos de fusões e aquisições das gigantes globais de bens de consumo são, essencialmente, uma defesa proativa das empresas contra o ambiente macroeconômico de estagflação. Quando o crescimento do PIB global desacelera e a inflação central é difícil de reduzir rapidamente, "aumentar os preços" torna-se o único meio de manter as margens de lucro. No entanto, esse aumento de preços geralmente leva à queda nas vendas. A fusão de 65 bilhões de dólares entre a Unilever e a McCormick busca justamente eliminar custos gerenciais sobrepostos e redundâncias na cadeia de suprimentos para alcançar uma recuperação endógena dos lucros sem comprometer a demanda dos consumidores.
Implicações Cruzadas de Ativos
Essas megafusões têm um impacto significativo nos preços de ativos cruzados. Primeiro, no mercado de crédito, grandes empréstimos para fusões e emissões de títulos de alto rendimento necessários para suportar transações como as de 29 bilhões de dólares da Sysco ou 40 bilhões da Kimberly-Clark, irão redefinir a estrutura de oferta e demanda no mercado de dívida corporativa, possivelmente elevando os spreads de crédito em setores específicos. Em segundo lugar, no mercado de ações, o aumento da atividade de fusões e aquisições no setor de consumo injetou um significativo prêmio de fusão (M&A Premium) nas ações das empresas alvo, tornando o setor de bens de consumo essenciais uma área defensiva com potencial de crescimento semelhante ao de ações de crescimento em mercados voláteis. Por fim, as grandes somas de dinheiro transferidas internacionalmente devido a megafusões transnacionais podem perturbar os mercados cambiais, especialmente a liquidez de curto prazo do dólar e do euro.
Perspectiva de Risco
Embora as fusões possam trazer efeitos de escala a curto prazo, os riscos de integração subsequentes não devem ser ignorados. Nos mercados ocidentais, onde a regulamentação antitruste é cada vez mais rigorosa, essas transações de grande porte enfrentam longos períodos de análise, podendo ser exigido que a empresa desinvestimento em ativos altamente lucrativos. Além disso, se após a fusão não se concretizarem os efeitos prometidos de sinergia de custos, a grande quantidade de dívida incorrida em um ambiente de alta taxa de juros pode se tornar um pesado fardo sobre o fluxo de caixa livre da nova entidade.