- Os futuros internacionais de petróleo bruto fecharam quase estáveis na quinta-feira, com o Brent subindo ligeiramente 0,09% para US$ 105,72 por barril, enquanto o petróleo dos EUA fechou a US$ 101,17. A ampla oscilação intradiária reflete o mercado reavaliando riscos entre a liberação parcial de navios no Estreito de Ormuz e os contínuos incidentes de ataques e apreensões.
- Os fundamentos macroeconômicos e os riscos geopolíticos estão em intensa disputa. O Fundo Monetário Internacional reduziu drasticamente a previsão de crescimento do PIB global real deste ano de 3,4% para 2,5%, enquanto a Agência Internacional de Energia alertou que os estoques globais de petróleo estão sendo consumidos a uma velocidade sem precedentes, com o déficit de oferta e demanda se ampliando.
- Os líderes da China e dos EUA chegaram a um consenso sobre a manutenção da fluidez no Estreito de Ormuz, e a China expressou intenção de aumentar as importações de petróleo dos EUA para substituir a participação do Oriente Médio. No entanto, o volume diário de tráfego no estreito, de 30 navios, ainda está muito abaixo do nível normal de 140 navios antes da guerra, indicando que os gargalos logísticos ainda não foram resolvidos de forma substancial.
Desbloqueio Marginal do Estreito e Persistência do Prêmio Geopolítico
O fechamento estável do mercado de petróleo na quinta-feira ocultou a intensa volatilidade intradiária. O Brent chegou a atingir um pico de US$ 107,13, mas devolveu os ganhos após a notícia de que alguns petroleiros conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã liberou cerca de 30 navios, incluindo um superpetroleiro chinês retido por mais de dois meses com 2 milhões de barris de petróleo iraquiano, e um petroleiro de bandeira panamenha gerido pela japonesa Eneos. Este sinal de desbloqueio marginal aliviou temporariamente o pânico extremo no mercado à vista. No entanto, o naufrágio de um navio indiano perto de Omã e a apreensão de um navio ancorado ao largo do porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, demonstram que o ambiente de navegação na região ainda está repleto de forças maiores. Os operadores de derivativos não conseguem eliminar completamente o prêmio de risco geopolítico ao precificar, fazendo com que os preços do petróleo mostrem uma forte resistência à queda acima de US$ 105.
Disputa entre Grandes Potências e Potencial Reconfiguração do Fluxo de Comércio de Petróleo
A Casa Branca está intervindo ativamente para controlar os efeitos econômicos colaterais do conflito com o Irã, e o consenso alcançado entre China e EUA sobre a garantia da fluidez da linha vital de energia tornou-se uma variável crucial para estabilizar as expectativas do mercado. É importante notar que, para reduzir a dependência do petróleo do Oriente Médio, a China propôs aumentar a compra de petróleo dos EUA. Desde maio de 2025, quando as importações foram interrompidas devido a tarifas comerciais, a China tem estado ausente do mercado de petróleo dos EUA. Se essa intenção de compra se concretizar, não só poderá compensar a redução de fornecimento causada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, mas também reconfigurará profundamente o fluxo de comércio de energia trans-Pacífico. A análise da Matador Economics aponta que a decisão do Irã de liberar alguns navios asiáticos neste momento é amplamente baseada na consideração de evitar perder o apoio de compradores centrais de petróleo em meio à cooperação estratégica energética entre China e EUA.
Ventos Contrários Macroeconômicos e Pressões Inflacionárias sobre os Preços do Petróleo
Apesar da ameaça de interrupção física no lado da oferta, os ventos contrários macroeconômicos estão se tornando cada vez mais evidentes na pressão sobre os preços do petróleo. Na quarta-feira, os futuros de Brent e petróleo dos EUA registraram quedas significativas de mais de US$ 2 e US$ 1, respectivamente, impulsionadas principalmente pelas preocupações do mercado com o aumento das taxas de juros nos EUA para conter a alta inflação. Com os preços do petróleo mantendo-se acima de US$ 100, o aumento dos custos de energia está se transformando em um componente persistente da inflação geral. O Fundo Monetário Internacional destacou que a economia global já entrou em um cenário intermediário desfavorável, com o crescimento do PIB sendo drasticamente reduzido para 2,5%. Essa destruição de demanda e expectativa de desaceleração econômica, causadas pelos altos preços da energia, constituem a principal resistência que impede uma nova alta nos preços do petróleo.
Consumo de Estoques à Vista e Forma da Curva a Termo
A tensão entre oferta e demanda no mercado à vista está sendo confirmada pela queda acentuada nos dados de estoques. O relatório da Agência Internacional de Energia indica que a oferta global de petróleo não conseguirá atender à demanda total este ano, com a velocidade de consumo de estoques atingindo um recorde histórico. Quando o volume diário de tráfego no Estreito de Ormuz caiu de 140 para 30 navios, as refinarias foram forçadas a usar massivamente reservas comerciais e estratégicas para manter as taxas de operação. Essa escassez física real fez com que a curva a termo dos futuros de petróleo apresentasse uma forma de prêmio à vista extremamente acentuada, com os preços dos contratos para entrega imediata muito superiores aos dos contratos futuros. Se os incidentes de ataques nas águas ao redor dos Emirados Árabes Unidos e Omã continuarem a impedir a recuperação do tráfego normal no estreito, o colchão de estoque do sistema energético global será completamente esgotado nos próximos meses.