A Coinbase afirma que um incidente no fornecedor externo de análise Amplitude expôs dados de contacto de um pequeno número de clientes, mas não encontrou indícios de acesso não autorizado aos seus próprios sistemas. Os fundos dos clientes não foram afetados. Em separado, a corretora de criptomoedas sul-coreana Bithumb e duas instituições financeiras comunicaram incidentes de cibersegurança, que voltam a chamar a atenção para o uso de dados pessoais em burlas direcionadas e ataques a contas, mesmo quando os ativos e os sistemas de custódia permanecem intactos.
Coinbase notifica clientes, mas não revela a dimensão do incidente
Numa publicação no X, a 28 de outubro, a Coinbase disse que o incidente envolveu a Amplitude e afetou um pequeno número de clientes. A empresa está a informar os clientes afetados e as autoridades reguladoras, mas ainda não divulgou quantas pessoas foram abrangidas nem que dados de contacto foram expostos.
A corretora afirma não ter encontrado provas de acesso não autorizado aos seus sistemas e garante que os fundos dos clientes permanecem seguros. A informação disponível aponta para uma exposição num serviço de terceiros, e não para uma intrusão nos sistemas centrais da Coinbase ou nos ativos dos clientes. A dimensão total do incidente ainda está por apurar.
Três empresas sul-coreanas comunicam incidentes de segurança
Os reguladores financeiros da Coreia do Sul abriram uma investigação na quarta-feira. A corretora Daishin confirmou que dados pessoais e financeiros de 38.490 clientes foram expostos, após detetar atividade suspeita a 17 de outubro. Entre os dados estavam nomes, endereços de correio eletrónico e de residência, identificadores de início de sessão, nomes de bancos e números de conta e de telefone encriptados. A Daishin disse não ter detetado acesso não autorizado aos sistemas operacionais centrais nem indícios de utilização indevida da informação.
A Bithumb afirmou que os atacantes acederam a um sistema interno de comunicação entre funcionários, expondo informações relacionadas com trabalhadores, subsidiárias e parceiros comerciais. A corretora continua a investigar se os registos de clientes também foram afetados. A Comissão de Serviços Financeiros da Coreia do Sul disse não ter confirmado a exposição de endereços de carteiras nem de dados que permitissem transferências fraudulentas de criptomoedas.
A Mirae Asset Global Investments detetou acesso não autorizado a um sistema web interno, mas informou que os dados dos investidores e os registos financeiros sensíveis não foram afetados. As divulgações levaram os reguladores a convocar uma reunião de emergência e a realizar inspeções no local. Um total de 16 instituições financeiras sul-coreanas já tinha sido afetado por incidentes de cibersegurança.
CZ alerta para ataques direcionados com dados expostos
Changpeng Zhao, fundador da Binance, conhecido como CZ, escreveu no X que tinham ocorrido quatro fugas de dados naquele dia. Alertou que criminosos podem usar registos de clientes para ataques de phishing, troca de cartões SIM e engenharia social. Se um endereço exposto puder ser associado a informações sobre património em criptomoedas, os investidores também poderão ficar mais vulneráveis a extorsão ou assaltos, afirmou.
Os incidentes não se limitam às corretoras. Este ano, também foram registados problemas de segurança na corretora israelita de criptomoedas Bits of Gold e na fabricante de carteiras físicas Trezor. Em agosto, a Bits of Gold revelou que atacantes tinham acedido à sua infraestrutura de análise. Poderão ter sido afetados nomes de clientes, dados de contacto, números de identificação israelitas, informações bancárias e endereços públicos de carteiras.
Um incidente no fornecedor de logística da Trezor, a ShipMonk, expôs nomes, números de telefone e moradas de entrega de clientes. Noutro caso, em setembro, foram exportados 347.149 endereços de correio eletrónico de marketing, na sequência de um incidente envolvendo a Brevo, fornecedora de serviços de email da Trezor. Posteriormente, foram enviados emails fraudulentos para tentar obter as frases de recuperação das carteiras dos utilizadores.
Zhao recomendou que os utilizadores recorram a endereços de email e números de telefone separados para as contas em corretoras e privilegiem chaves de acesso ou chaves de segurança físicas em vez da verificação por SMS. Também mencionou limites de levantamento, a revisão regular das sessões ativas e das permissões de API, e cautela perante mensagens não solicitadas que aleguem ser do apoio ao cliente de uma corretora. Os dados afetados e a dimensão confirmada variam entre os casos, e algumas investigações continuam em curso.