Em setembro de 2026, o ETF Schwab U.S. Dividend Equity (SCHD) acumulava uma valorização de cerca de 20% no ano, acima dos aproximadamente 13% do S&P 500. O fundo oferece um rendimento próximo de 3%, mas PepsiCo, Enterprise Products Partners e Realty Income pagam mais de 4%. As três empresas podem interessar a quem procura rendimento, embora tenham modelos de negócio e riscos diferentes.
Como o SCHD seleciona 100 ações de dividendos
O SCHD não se limita a reunir as empresas com os maiores rendimentos. O índice que acompanha começa por selecionar negócios que aumentaram os dividendos durante pelo menos 10 anos consecutivos. Também exclui fundos de investimento imobiliário (REITs) e sociedades limitadas de energia (MLPs). As empresas restantes são avaliadas com base em indicadores como fluxo de caixa em relação à dívida total, retorno sobre o capital próprio, rendimento do dividendo e crescimento dos dividendos nos últimos cinco anos. As 100 com melhor classificação entram no índice.
Este processo favorece empresas com operações estáveis e um historial de aumento das distribuições aos acionistas. O SCHD teve um desempenho sólido em 2026, embora possa ficar atrás do mercado em contextos diferentes. Para quem privilegia rendimento corrente, os cerca de 3% do fundo podem ser insuficientes, tornando relevante analisar empresas que não fazem parte do índice ou que oferecem rendimentos mais elevados.
PepsiCo rende cerca de 4,5%
A PepsiCo é uma Dividend King: aumentou o dividendo anual durante mais de 50 anos consecutivos. Uma das maiores empresas mundiais de bens de consumo, opera nos segmentos de snacks, bebidas e alimentos embalados. A diversidade de atividades contribui para sustentar as receitas e o fluxo de caixa.
Ainda assim, o desempenho operacional não regressou totalmente a níveis considerados ideais. O longo historial de aumentos do dividendo mostra que a empresa mantém uma base para melhorar, mas a cautela dos investidores fez subir o rendimento da ação para cerca de 4,5%, um valor elevado face aos seus padrões históricos.
A PepsiCo já integra o SCHD, pelo que analisar a ação não implica necessariamente sair do universo de investimento do ETF. Por outro lado, o rendimento mais elevado reflete dúvidas sobre o crescimento e o desempenho operacional atuais da empresa. O dividendo, por si só, não permite antecipar a evolução futura do negócio.
Enterprise aumenta distribuições há 28 anos
A Enterprise Products Partners é uma sociedade limitada de energia (MLP) e, por isso, fica excluída das regras do índice do SCHD. A empresa oferece um rendimento de distribuição de cerca de 5,8% e aumentou a distribuição anual durante 28 anos consecutivos — quase todo o seu percurso como empresa cotada.
O negócio assenta em infraestruturas energéticas remuneradas por tarifas. A Enterprise cobra pela utilização de oleodutos, instalações de armazenamento e outros ativos, pelo que as suas receitas não dependem inteiramente das oscilações de curto prazo dos preços do petróleo bruto ou do gás natural. Para quem procura exposição ao setor energético sem a sensibilidade total aos preços das matérias-primas típica de um produtor de petróleo e gás, este modelo apresenta um perfil de risco diferente.
Esta é uma das principais diferenças face a produtores como a Chevron, que integra o SCHD e cujos resultados são mais diretamente afetados pelos preços da energia e pelos volumes de produção. O rendimento elevado da Enterprise deve ser ponderado juntamente com a utilização das infraestruturas, as despesas de capital e o nível de endividamento.
Realty Income paga dividendos mensais há 31 anos
A Realty Income está excluída do SCHD devido à sua estrutura empresarial. Como REIT, rende atualmente cerca de 5,8% e aumentou o dividendo durante 31 anos consecutivos, com pagamentos mensais.
É um dos maiores REITs de arrendamento líquido do mundo, com mais de 15.500 imóveis na América do Norte e na Europa. A dimensão limita o ritmo de crescimento, mas o rendimento superior pode atrair investidores que dão prioridade ao rendimento corrente.
A escala também facilita o acesso da Realty Income ao financiamento. A empresa dispõe de canais consolidados nos mercados de capitais, que podem ajudá-la a competir na aquisição de imóveis e a ampliar gradualmente a carteira, mantendo o historial de crescimento dos dividendos. No entanto, o desempenho dos REITs continua sensível às taxas de juro, aos custos de financiamento, à qualidade dos inquilinos e às condições do imobiliário comercial. O rendimento não deve ser avaliado isoladamente.
Rendimentos mais altos, estruturas e riscos distintos
O SCHD pode funcionar como posição central numa carteira focada em dividendos, enquanto a PepsiCo combina um longo historial de aumentos com presença no próprio ETF. A Enterprise Products Partners e a Realty Income oferecem rendimentos próximos de 5,8%, mas as respetivas estruturas de MLP e REIT deixam-nas fora dos critérios de seleção do SCHD.
As diferenças vão além do rendimento anunciado. As empresas têm modelos de negócio, fontes de distribuição e riscos de mercado distintos: a PepsiCo enfrenta um crescimento mais lento nos bens de consumo, a Enterprise depende do fluxo de caixa das infraestruturas energéticas e a Realty Income tem de gerir as taxas de juro e as condições de financiamento imobiliário. Para quem procura rendimento, estes fatores pesam tanto quanto os dividendos apresentados por cada ação.