Horas antes de o presidente dos Estados Unidos, Trump, anunciar um acordo de cessar-fogo de duas semanas com o Irã, a plataforma de previsões descentralizada Polymarket apresentou uma rodada de apostas concentradas e incomuns. Uma análise on-chain baseada no Dune mostrou que pelo menos 50 carteiras compraram o contrato "sim" na aposta de "EUA e Irã irão cessar-fogo" no dia 7 de abril, enquanto essas carteiras nunca haviam apostado nesse evento antes. Devido ao fato de que Trump mais cedo naquele dia ameaçou nas redes sociais que, se o Irã não permitisse a abertura do Estreito de Ormuz, "toda a civilização seria exterminada naquela noite", essas apostas contrastaram fortemente com as expectativas da opinião pública na época.
Uma das carteiras, criada por volta das 10 horas ET, investiu cerca de 72 mil dólares, comprando a um preço médio de 8,8 centavos e depois realizandou um lucro de cerca de 200 mil dólares; outra carteira, criada 12 minutos antes de Trump publicar o post de cessar-fogo, investiu cerca de 31.908 dólares, com lucro estimado em cerca de 48.500 dólares. Outra carteira que aderiu à plataforma em 6 de abril, negociando exclusivamente sobre este evento, mostrou um lucro de aproximadamente 125.500 dólares. Segundo registros públicos on-chain, estas foram as primeiras transações das carteiras relacionadas.
Ponto de Controvérsia
No entanto, as evidências atuais são insuficientes para comprovar que essas transações envolvem informações privilegiadas ilegais. A AP apontou que a Polymarket usa carteiras de contratos inteligentes do tipo proxy, permitindo que o mesmo usuário crie várias carteiras; os dados públicos da blockchain também não identificam a identidade dos controladores reais. Em outras palavras, o que o mercado vê atualmente são "transações suspeitas com timing extremamente preciso", em vez de conclusões de cumprimento legal já detalhadas.
Este ponto nebuloso é o cerne da controvérsia dos mercados de previsão. Em março, a Reuters citou o chefe de imposição da CFTC, David Miller, dizendo que os reguladores já notaram suspeitas sobre comércio interno nos mercados de previsão e deixaram claro que "estão observando"; ele também destacou que, se os contratos de eventos forem considerados swaps ou derivados semelhantes, as leis de comércio interno também se aplicam. Enquanto isso, o governo de Trump processou ainda este mês os estados de Arizona, Connecticut e Illinois, alegando que os estados não têm autoridade para regular plataformas como Polymarket e Kalshi como jogos de azar, destacando que as fronteiras jurisdicionais entre o federal e o estadual ainda não estão claras.
Contexto de Mercado Mais Amplo
Vale notar ainda que estas não foram as primeiras transações "cronometradas" em torno da situação EUA-Irã. Em um relatório de 8 de abril, a Reuters mencionou que, antes do anúncio do cessar-fogo por Trump, outros traders venderam cerca de 8.600 contratos futuros de petróleo Brent e WTI, em apostas nominais de cerca de 950 milhões de dólares; após o anúncio, os preços do petróleo caíram cerca de 15%. Olhando mais para trás, a Reuters também relatou uma aposta de aproximadamente 500 milhões de dólares no petróleo antes de Trump anunciar o adiamento do ataque a instalações energéticas do Irã, e contas relacionadas no Polymarket obtiveram lucros combinados de cerca de 1,2 milhões de dólares antes do ataque fatal ao líder supremo do Irã, Khamenei.
Contrato Ainda Não Liquidado
A realização completa das apostas de cessar-fogo ainda não se concretizou, pois a situação real ainda é pouco clara. A Polymarket já marcou o contrato de cessar-fogo de 7 de abril entre EUA e Irã como "em disputa", justificando que o Irã continua a impor restrições ao trânsito no Estreito de Ormuz e que ataques com mísseis na região não cessaram completamente. Um relatório de 9 de abril da Reuters informou que, 24 horas após o cessar-fogo, apenas um petroleiro e cinco cargueiros passaram pelo Estreito de Ormuz, bem abaixo dos cerca de 140 por dia antes da guerra, indicando que "cessar-fogo anunciado" não equivale a "acordo plenamente executado".