- No primeiro trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) real da China cresceu 5,0% em relação ao ano anterior, superando a previsão de mercado de 4,8% e situando-se na extremidade superior da meta anual de 4,5% a 5,0%. O crescimento trimestre a trimestre acelerou ligeiramente para 1,3%.
- O crescimento do PIB nominal subiu para 4,94%, com um aumento superior ao do PIB real. Além disso, o Índice de Preços ao Produtor (PPI) de março tornou-se positivo pela primeira vez em 41 meses, indicando que a pressão deflacionária sobre os preços no setor industrial está aliviando de maneira substancial.
- As exportações de produtos de alta tecnologia foram robustas no primeiro trimestre, impulsionando o crescimento anual de 11,9% nas exportações em dólar, o que contrabalançou efetivamente a fraqueza da demanda interna refletida pelo crescimento de apenas 1,7% nas vendas no varejo de bens de consumo social em março.
Reestruturação industrial sustentada por alta tecnologia
Os dados macroeconômicos do primeiro trimestre delineiam claramente a transformação estrutural em curso na economia chinesa. Em meio a ajustes nas forças motrizes tradicionais, a nova produtividade se tornou o pilar central que sustenta o crescimento econômico geral. A produção industrial global em março cresceu 5,7% em relação ao ano anterior, com um desempenho notável nas indústrias de manufatura de equipamentos e de alta tecnologia, que registraram aumentos de 8,9% e 12,5%, respectivamente. Do ponto de vista dos produtos, a produção de circuitos integrados aumentou 20,6% anualmente, enquanto a produção de robôs industriais cresceu 24,4%, evidenciando que o derramamento das aplicações de inteligência artificial e a modernização da manufatura avançada estão proporcionando um fluxo robusto de pedidos para o setor industrial. Essa expansão de produção impulsionada por avanços tecnológicos é um fator chave para a China conseguir manter a estabilidade de sua base econômica frente às perturbações geopolíticas no Oriente Médio.
Recuperação do sistema de preços e melhoria marginal na confiança de investimento
No final do primeiro trimestre, sinais de inflexão emergiram em relação às expectativas de queda dos preços que há muito afetavam o mercado. O crescimento do PIB nominal saltou de 3,85% no trimestre anterior para 4,94%, e seu aumento de 1,1 pontos percentuais superou o aumento de 0,5 pontos percentuais do PIB real, refletindo uma melhora na percepção macroeconômica. Mais importante ainda, em março, o PPI encerrou seu ciclo de 41 meses de crescimento negativo. Excluindo o impacto temporário no fornecimento de energia devido aos conflitos no Oriente Médio, a contração do PPI está se reduzindo rapidamente. Esta recuperação no sistema de preços melhora diretamente as expectativas de lucratividade das empresas e, subsequentemente, sinaliza uma estabilização nos investimentos em ativos fixos (FAI). De janeiro a março, o FAI cresceu 1,7% em termos anuais, com os investimentos na manufatura subindo para 4,1% e os investimentos na manufatura de alta tecnologia registrando um crescimento de 5,2%, demonstrando que os efeitos das políticas anti-desindustrialização estão se materializando gradualmente na economia real.
Resistência estrutural no consumo final e riscos prospectivos
Embora os setores de produção e investimento mostrem resiliência considerável, a recuperação do balanço patrimonial dos lares permanece atrasada. A taxa de crescimento das vendas no varejo de bens de consumo social caiu para 1,7% em março, ficando abaixo das expectativas do mercado. Essa fraqueza nos dados é atribuída principalmente à queda no consumo de bens duráveis, particularmente nos bens automotivos, que sofreram uma retração acelerada após a redução dos subsídios fiscais em 2026. Além disso, no primeiro trimestre, a renda disponível real dos residentes teve um aumento de 4,0% em termos anuais, enquanto os gastos de consumo per capita cresceram apenas 2,6%, indicando que a tendência de poupança preventiva ainda persiste. Se a confiança dos consumidores não se recuperar plenamente no segundo semestre, a dependência do crescimento econômico em relação à demanda por produtos de alta tecnologia do exterior pode se intensificar, aumentando assim a vulnerabilidade macroeconômica frente a atritos comerciais globais.