
À medida que a Itália avança para 2026, o ambiente político e fiscal é considerado mais estável do que antes, mas o mercado não está "despreocupado". O Bank of America Global Research listou, em um relatório, seis questões-chave ainda sem resposta, acreditando que continuarão a afetar a confiança dos investidores na terceira maior economia da zona euro e sua forma de precificação.
Contexto Geral: Seis Interrogações sob a Narrativa de Estabilidade
A avaliação central do relatório é: embora a narrativa macroeconômica tenha melhorado, o que determina o prêmio de risco ainda é "o crescimento pode ser concretizado?". Em outras palavras, estabilidade é condição necessária, mas insuficiente para sustentar as expectativas otimistas do mercado.
1) Consumo: As famílias gastarão após a queda da inflação?
O relatório coloca "se o consumo das famílias pode se recuperar" como a questão mais urgente. Os dados mostram que o nível de consumo na Itália no terceiro trimestre de 2025 era apenas cerca de 2 pontos percentuais acima do período pré-pandemia, enquanto em outras áreas da zona do euro era cerca de 4,8 pontos percentuais mais alto; o aumento acumulado dos últimos quatro trimestres foi de cerca de 90 pontos base.
O Bank of America destaca que a melhoria da renda real, decorrente da queda da inflação, foi mais convertida em poupança do que em despesa, com a taxa de poupança subindo para 14,1%, o nível mais alto desde 2021, refletindo a incerteza que ainda suprime o desejo de consumir.
2) Emprego Forte, Produtividade Fraca: A "Iluminação" do Mercado de Trabalho é Sustentável?
O segundo foco é a resiliência do mercado de trabalho. O relatório menciona que a taxa de desemprego está em 5,7%, e a taxa de emprego também está desempenhando de forma robusta.
Mas a questão é a produtividade: a produção por hora é cerca de 2,2% inferior ao período pré-pandemia, enquanto em outras regiões da zona do euro houve um crescimento semelhante. O Bank of America acredita que isso está relacionado à expansão do emprego para setores de baixa produtividade (especialmente construção).
3) Plano de Recuperação e Resiliência: O Dinheiro Será Desembolsado no Prazo e na Quantidade?
O terceiro variável é o progresso na execução do "Plano de Recuperação e Resiliência" da Itália. O relatório afirma que, até o final de 2025, a Itália usou cerca de 49% do total alocado, restando cerca de 10 bilhões de euros a serem implantados; em 2024 as despesas reais atingiram apenas 43% do nível planejado.
O cronograma atualizado mostra que gastos equivalentes a cerca de 1,6% do PIB podem ser adiados para depois de 2026. O relatório também adverte que a última parcela de fundos (cerca de 28 bilhões de euros) parece ser mais desafiadora de ser liberada.
4) Finanças Públicas e Déficit: Austeridade Confirmada, Mas Pressão da Dívida Continua Aumentando
O quarto pilar são as finanças públicas. O relatório aponta que o orçamento da Itália para 2026 continua com orientação de austeridade, com medidas de expansão líquida insuficientes para alcançar 0,1% do PIB; ao mesmo tempo, a meta de déficit de 2025-2028 foi reduzida, o que significa que a Itália pode sair do "procedimento de déficit excessivo" da UE antes de meados de 2026.
No entanto, a dívida ainda é um ponto de fragilidade estrutural: a dívida pública está projetada para subir até 2027. Segundo o Bank of America, o "efeito bola de neve" se tornou desfavorável, exigindo um superávit primário maior no futuro para compensar; a proporção da despesa com juros no PIB está projetada para aumentar de 3,9% em 2025 para 4,2% em 2028.
5) Agenda Política: Perturbações de Curto Prazo Limitadas, Mas Os Pontos Chave Não Devem Ser Ignorados
O quinto problema vem do lado político. O relatório acredita que há pouco risco no curto prazo, com os principais eventos de 2026 incluindo eleições locais e o referendo constitucional de março sobre a "separação de carreiras judiciais".
A instituição avalia que esses eventos dificilmente irão enfraquecer significativamente a estabilidade do atual governo; as próximas eleições gerais são esperadas para o segundo trimestre de 2027.
6) Potencial de Crescimento: 0,7% Ainda é Baixo, Gargalos Ainda Apontam para a Produtividade
A última e mais estratégica questão é o potencial de crescimento de médio e longo prazo. O relatório prevê que a taxa de crescimento do PIB da Itália aumentará de 0,5% em 2025 para 0,7% em 2026, mas ainda está abaixo da média da zona do euro.
O Bank of America enfatiza que a fraca produtividade continua sendo o principal entrave para a Itália; ainda é "cedo demais" para afirmar se as reformas relacionadas ao plano de recuperação poderão aumentar significativamente o potencial de crescimento, descrevendo isso como um "teste que a Itália não pode falhar".
