A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã emitiu um alerta via rádio VHF em 28 de fevereiro para embarcações nas águas do Golfo, afirmando que "nenhuma embarcação deve passar pelo Estreito de Ormuz", segundo um oficial da missão de escolta naval da UE "Aspides". O oficial destacou que o Irã ainda não confirmou formalmente essa proibição, mas as tensões na região já provocaram uma rápida precificação nos mercados de transporte e energia.
Em 28 de fevereiro, a Reuters citou diversas fontes do setor dizendo que, após ataques dos EUA e Israel contra o Irã, várias empresas de petróleo e gás, comerciantes e operadores de petroleiros suspenderam ou adiaram o transporte de petróleo bruto, produtos refinados e gás natural liquefeito (GNL) pelo Estreito de Ormuz. Imagens de satélite mostram algumas embarcações aguardando nos arredores de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. A marinha britânica declarou no mesmo dia que o alerta do Irã via rádio não tem força legal, mas recomendou que as embarcações "naveguem com cautela"; já a marinha dos EUA alegou não poder garantir a segurança da navegação na região do Golfo.
Perturbação no Estreito Amplifica "Impacto de Corredor"
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é um canal crucial para a exportação dos países produtores de petróleo do Golfo. Dados da Administração de Informações de Energia dos EUA (EIA) indicam que, em 2024, o fluxo médio de petróleo através do estreito foi de cerca de 20 milhões de barris/dia; nesse mesmo ano, cerca de 20% do comércio global de GNL também foi transportado por esse canal. Analistas de mercado destacam que o risco atual não reside na ausência de fornecimento de um único produtor de petróleo, mas sim no "impacto de corredor", que simultaneamente comprime o embarque, seguro, financiamento e agendamento de remessas, elevando o prêmio de liquidez do petróleo no curto prazo e transmitindo-o, por meio de spreads e estrutura de preços, aos preços finais de produtos refinados e produtos químicos.
Preços do Petróleo Sobem com o Prêmio de Risco, Brent Próximo a 80 Dólares
Os ajustes nos preços já estão refletindo diferenças nas expectativas. Em 27 de fevereiro, o preço de liquidação do contrato de abril do Brent foi de 72,48 dólares por barril, com alta de 2,45% no dia; o preço de liquidação do WTI foi de 67,02 dólares por barril, uma alta de 2,78%. Em 1º de março, a Reuters relatou que, devido ao aumento das tensões e à expectativa de interrupções no transporte, os preços do petróleo saltaram cerca de 10% em um ponto, com o Brent se aproximando de 80 dólares por barril nas negociações fora do pregão, e algumas instituições ajustaram suas faixas-alvo para cenários extremos.
O Barclays afirmou em um relatório no final de fevereiro que, se houver uma interrupção substancial no fornecimento, o Brent pode subir para perto de 80 dólares por barril; o banco também alertou que, se as tensões não resultarem em um "corte no fornecimento" real, o prêmio de risco de cerca de 3 a 5 dólares por barril pode rapidamente desaparecer.
Custos de Seguro de Transporte Sobem, Expectativa de Excesso de Oferta Enfrenta Reavaliação
As mudanças marginais nos seguros e na capacidade estão se acelerando. Mídias asiáticas citaram informações do mercado de seguros indicando que os prêmios de seguro de guerra para rotas relacionadas ao Oriente Médio podem aumentar em até 50%, o que significa uma expansão adicional do prêmio medido em pontos-base nos custos de transporte, reduzindo a flexibilidade na oferta de capacidade imediata. Pessoas próximas à indústria naval indicaram que, se o aumento dos prêmios e o endurecimento dos termos de cobertura continuarem, os armadores podem preferir adiar a entrada em águas sensíveis, ampliando assim os atritos na cadeia de suprimentos de curto prazo.
No que diz respeito aos fundamentos de oferta e demanda, algumas instituições ainda previam um mercado global relativamente estável até 2026 antes da escalada do conflito. Em sua perspectiva mensal de curto prazo, a EIA previu um aumento médio de cerca de 3,1 milhões de barris/dia nos estoques globais de petróleo em 2026. Nesse contexto, o atual reajuste do mercado está mais focado na duração da interrupção da narrativa de "excesso de oferta" pela incerteza do canal, em vez de numa correção unidirecional no preço de equilíbrio de longo prazo.
Pequeno Aumento de Produção da OPEP+ Compensa Incertezas
Com as tensões afetando o transporte, a OPEP+ anunciou em 1º de março um pequeno aumento na produção de 206 mil barris/dia a partir de abril. Analistas afirmam que esse aumento está mais próximo de um gerenciamento de sinal de "expectativa estável": de um lado, liberando incremento marginal para amenizar preocupações de oferta e, de outro, mantendo a flexibilidade política, evitando sobrecarga de capacidade ociosa durante períodos de crescente incerteza, deixando espaço para uma possível recuperação de valorizações e queda do prêmio de risco subsequente.