- A partir das 14:00 GMT do dia 13 de abril, os Estados Unidos implementaram um bloqueio a navios que entram e saem dos portos iranianos e das regiões costeiras, mas não proibiram formalmente que navios neutros com destino a portos não-iranianos atravessem o Estreito de Ormuz. Com isso, o foco do mercado passou de "bloqueio total do estreito" para "quanto a eficiência da navegação e o risco de cumprimento diminuirão".
- Na segunda-feira, o preço internacional do petróleo voltou a subir para acima de 100 dólares por barril, com o Brent chegando próximo a 102 dólares e o WTI subindo para cerca de 104 dólares; ao mesmo tempo, o preço no mercado spot do Forties do Mar do Norte da Europa aproximou-se de 148,87 dólares, indicando que a disputa por recursos disponíveis no curto prazo é claramente mais acirrada do que nos mercados futuros.
- O aumento do prêmio de risco do mercado não é apenas impulsionado pelas restrições às exportações do Irã, mas também pela reavaliação simultânea de seguros, fretes, custos de desvio e ações de retaliação potenciais. O Reino Unido já deixou claro que não participará do bloqueio dos EUA, destacando ainda mais que o bloco ocidental não é totalmente unificado na execução dessa medida.
Precificação de Mercado
Olhando apenas para o desempenho dos preços, ainda é precipitado afirmar que "o preço do petróleo a 150 dólares já foi totalmente absorvido pelo mercado". O que o mercado atualmente reflete é que o Estreito de Ormuz deve permanecer em um estado de baixo fluxo e alta incerteza nos próximos meses, e não uma interrupção completa durante todo o ano. Em outras palavras, o mercado está precificando "interrupções de fornecimento", mas ainda não mudou totalmente para o cenário extremo de "ruptura do sistema de fornecimento". Os preços spot mais fortes em relação aos futuros indicam que refinarias, comerciantes e compradores finais estão mais preocupados com o abastecimento imediato do que com os preços futuros.
Limites do Bloqueio
A diferença entre "bloqueio da navegação nos portos iranianos" e "bloqueio total do Estreito de Ormuz" é a mais fácil de ser mal interpretada nesta situação. Conforme comunicado oficialmente pelos EUA, o bloqueio se dirige a navios associados aos portos e regiões costeiras do Irã, e não a todos os navios comerciais internacionais que passam pelo estreito. Por isso, atualmente, Ormuz se encontra mais precisamente em um estado de "tráfego permitido, mas com custos mais altos, menor eficiência e maior risco". Para os armadores, continuar ou não a navegar por essa rota já não é apenas uma questão de rota, mas uma avaliação de seguro, segurança da tripulação e riscos potenciais de detenção.
Política e Risco
O que realmente merece atenção não é até que ponto o preço do petróleo pode atingir a curto prazo, mas sim o impacto secundário de equívocos políticos. Se os EUA intensificarem o bloqueio para medidas de fiscalização marítima mais agressivas, o Irã pode responder atingindo instalações de exportação alternativas, infraestrutura energética do Golfo, ou mesmo rotas marítimas no entorno do Mar Vermelho e do Golfo de Omã. Se a situação evoluir de "perturbação local do transporte" para "dano ao sistema energético regional", o mercado enfrentará não apenas um petróleo mais caro, mas uma inflação mais duradoura, cadeias de suprimento mais apertadas e uma retração simultânea nas preferências de risco inter-ativos.