Bank of America insiste em três aumentos de juros do Fed neste ano
Aditya Bhave, economista-chefe do Bank of America, reafirmou sua projeção de que o Federal Reserve realizará três elevações na taxa de juros ao longo de 2023, mesmo após a divulgação dos dados de inflação de julho, que vieram exatamente conforme as expectativas do mercado. O índice de preços ao consumidor (IPC) teve alta mensal de 0,1% e avanço anual de 3,4%, em linha com as previsões de Wall Street.
Pressão para aumento das taxas persiste apesar da inflação estável
Bhave destacou que, embora os números recentes não indiquem aceleração inflacionária, o Fed precisa reverter uma flexibilização monetária ocorrida no ano anterior, quando cortou as taxas em 75 pontos base de forma antecipada, motivado por preocupações com uma desaceleração no mercado de trabalho que não se concretizou. Para o economista, é necessário ajustar essa política com aumentos para evitar desancorar os juros de longo prazo.
"O Fed precisa recuperar os 75 pontos base cortados no ano passado, que tinham como objetivo defender contra riscos no mercado de trabalho que, de fato, não se manifestaram", explicou Bhave.
Dados de emprego mais fracos precisam ser contextualizados
Sobre o relatório de empregos de julho, que ficou aquém do esperado, Bhave ressaltou a influência de fatores sazonais e ruídos estatísticos temporários. Ele afirmou que, em média, o mercado de trabalho criou cerca de 50 mil empregos por mês nos últimos doze meses, ritmo consistente com um mercado equilibrado considerando o crescimento da força de trabalho.
Aumento da taxa de juros de longo prazo reforça necessidade de mais elevações
O economista também manifestou preocupação com o custo do financiamento de longo prazo. Citou que o rendimento dos títulos do Tesouro americano de 30 anos está próximo de 5,25%, valor semelhante ao registrado quando o Fed pausou o aperto no início do ano, o que indica que a interrupção prematura dos aumentos pode desancorar esses juros e elevar os riscos caso a inflação volte a subir.
Bhave prevê que o Fed deve evitar alta de juros antes das eleições de outubro, com a primeira possível elevação ocorrendo em setembro, mas admite que a decisão pode ser postergada até dezembro.
Divergências entre economistas e cautela do mercado
Nem todos os especialistas compartilham a visão de Bhave. Tom Porcelli, economista-chefe do Wells Fargo, acredita que o Fed manterá as taxas estáveis até o final de 2026. Além disso, o índice FedWatch da CME reflete uma probabilidade reduzida, de apenas 42%, para um aumento em setembro.
Mesmo assim, Bhave mantém a convicção de que, mesmo com possíveis sinais positivos nos dados econômicos, a inflação central deve permanecer acima da meta, e o mercado de trabalho praticamente em equilíbrio reforça a necessidade de continuação do aperto monetário.
O desenrolar da política monetária em setembro será um ponto de atenção para investidores e analistas, já que demonstrará o compromisso do Fed em controlar a inflação frente aos dados recentes.
A posição do Bank of America reflete a cautela e complexidade que caracterizam as decisões do Fed diante de uma inflação que permanece teimosa, apesar da aparente estabilidade dos indicadores recentes, e de um mercado de trabalho resiliente. Os agentes financeiros deverão acompanhar de perto tanto os indicadores econômicos quanto as declarações do banco central para antecipar eventuais impactos nas condições do crédito e nas expectativas para o dólar e os mercados globais.