FINMA fortalece a infraestrutura financeira e cripto na Suíça
A Autoridade Suíça de Supervisão do Mercado Financeiro (FINMA), criada em 2007 e operando desde 2009, reúne sob sua alçada a regulação bancária, seguradora e de prevenção à lavagem de dinheiro, além de supervisionar valores mobiliários, gestão de ativos e ativos digitais. Sua independência institucional e modelo regulatório estruturado garantem estabilidade ao setor financeiro suíço, além de proteger os investidores, assegurando a posição do país como centro financeiro global.
Em 2024, o setor financeiro suíço gerou cerca de 74 bilhões de francos suíços em valor agregado, respondendo por aproximadamente 9% do Produto Interno Bruto (PIB). O superávit das exportações líquidas de serviços financeiros e de seguros atingiu 25,6 bilhões de francos suíços em 2025, com mais de 222 mil empregos diretamente vinculados ao setor. A contribuição em impostos foi de 22 bilhões de francos suíços, somando cerca de 13% da arrecadação pública – indicadores que destacam a relevância do setor para a economia nacional.
Sistema regulatório segmentado estimula inovação
A Suíça promove um ambiente regulatório flexível para empresas de fintech e criptoativos, permitindo adequações conforme o modelo de negócio para evitar entraves excessivos. As organizações podem optar por estar isentas da regulamentação financeira, participar de ambientes controlados de testes (sandbox), solicitar licenças específicas para fintechs, integrar Organizações de Autorregulação reconhecidas pela FINMA (SRO) ou, ainda, candidatar-se a autorizações completas como bancos ou infraestruturas de mercado.
Por exemplo, a licença fintech permite que empresas captem fundos publicamente até o limite de 100 milhões de francos suíços, sem a necessidade de operar como instituições tradicionais de crédito. A FINMA também intensificou o diálogo pré-regulatório, reduzindo o tempo médio de resposta a consultas — que era de 141 dias em 2021 e baixou para 25 dias em 2024 — facilitando a adaptação e conformidade das startups do setor.
Organizações de autorregulação (SROs) oferecem um canal específico para cripto
Existem atualmente 11 SROs reconhecidas pela FINMA, como ARIF, PolyReg e VQF, que supervisionam intermediários financeiros sujeitos à legislação contra lavagem de dinheiro. Embora a FINMA assegure a fiscalização sobre suas normas e funcionamento, as SROs flexibilizam a regulação para participantes do mercado cripto, diferenciando-se do rigor das licenças bancárias tradicionais.
Essa separação regulatória permite tratar com maior precisão atividades diversas no setor, como softwares não custodiais, custódia de ativos, staking, emissão de stablecoins, tokenização de valores mobiliários e plataformas de negociação. Essa gestão detalhada apresenta um modelo de regulação mais efetivo e alinhado com as especificidades do mercado cripto.
O Vale do Crypto como polo de inovação acessível
Até 2025, a Suíça congregava 1.766 empresas focadas em blockchain e mais de 500 fintechs. No mesmo ano, o capital de risco aplicado em fintech entre Suíça e Liechtenstein alcançou 185 milhões de francos suíços, com 81 milhões destinados à tecnologia de livros distribuídos (DLT).
A região de Zug, conhecida como "Crypto Valley", consolidou-se como epicentro global de inovação em blockchain, sediando organizações como a Ethereum Foundation desde 2014. A concentração de profissionais financeiros, jurídicos e de auditoria favoreceu a aprovação de instituições como Sygnum e Amina, que obtiveram licenças bancárias e de valores mobiliários. Além disso, a bolsa digital SIX recebeu autorização em 2021 e, em março de 2025, a BX Digital foi a primeira instituição licenciada especificamente para negociações com tecnologia DLT.
Reformas regulatórias visam novas licenças e maior supervisão
A Suíça planeja implementar novas categorias de licenças para instrumentos de pagamento e instituições do setor cripto, ampliando a regulação direta e os mecanismos de fiscalização — especialmente após o episódio envolvendo o Credit Suisse, que intensificou as exigências regulatórias.
O desafio das autoridades é manter a clareza regulatória e a flexibilidade nas diferentes camadas de acesso, preservando as vantagens da supervisão dedicada das SROs, ao mesmo tempo em que aumentam a capacidade do setor para mitigar riscos e garantir o desenvolvimento sustentável das fintechs.