O financiamento da Segurança Social dos Estados Unidos deverá ganhar peso nas eleições intercalares de 2026. As reservas do fundo de reforma e sobrevivência podem esgotar-se no final de 2032 e, sem medidas do Congresso, as receitas correntes cobririam cerca de 78% dos benefícios previstos — o que implicaria um corte generalizado de aproximadamente 22%. Inquéritos indicam que muitos eleitores aceitariam alguns aumentos de impostos para evitar essa redução.
Eleitores dão prioridade à prevenção de cortes
Num inquérito realizado em 43 círculos eleitorais competitivos, 83% dos eleitores prováveis com 50 ou mais anos disseram que a Segurança Social é «muito importante» ou «extremamente importante» para a sua decisão de voto. Num estudo separado, feito em cinco estados decisivos, 81% afirmaram que estariam mais inclinados a apoiar um candidato ao Senado com um plano para impedir cortes automáticos nos benefícios.
Os aumentos de impostos também tiveram apoio. Cerca de 72% dos inquiridos favoreceram uma taxa adicional de 1% sobre os rendimentos do trabalho acima do limite salarial de 2026. Os resultados refletem as opiniões dos eleitores, mas não significam que exista uma política definida. Cabe ao Congresso decidir como enfrentar o défice de financiamento a longo prazo e se eventuais aumentos de impostos devem ser acompanhados por alterações nos benefícios futuros dos beneficiários com rendimentos mais elevados.
A Segurança Social não está «falida», e o esgotamento das reservas não significaria que os pagamentos cessassem por completo. Os impostos sobre os salários e outras receitas continuariam a financiar a maioria dos benefícios previstos. O relatório dos administradores de 2026 estima que, sem intervenção do Congresso, o fundo de reforma e sobrevivência ficará sem reservas no final de 2032; a partir daí, poderia pagar cerca de 78% dos benefícios programados. Para evitar cortes generalizados, os legisladores terão de ajustar as receitas, as despesas ou ambas antes dessa data.
Limite salarial está no centro das propostas fiscais
Em 2026, os trabalhadores por conta de outrem pagam um imposto para a Segurança Social de 6,2% sobre salários até 184.500 dólares, com uma contribuição igual por parte dos empregadores. Os trabalhadores independentes pagam, em geral, uma taxa combinada de 12,4%. Os rendimentos acima do limite anual não estão sujeitos a este imposto sobre os salários.
Uma das opções mais debatidas é aumentar ou eliminar esse limite, fazendo com que os trabalhadores com rendimentos mais elevados paguem imposto sobre uma parcela maior do que recebem. A Administração da Segurança Social estima que a eliminação do limite poderia cobrir cerca de 58% do défice de financiamento projetado para 75 anos, caso os rendimentos adicionais sujeitos a imposto não aumentassem os benefícios futuros. Se esses rendimentos também fossem contabilizados no cálculo dos benefícios, a parcela coberta cairia para cerca de 45%. O efeito dependeria dos termos da alteração e da forma como os impostos se refletissem nos benefícios.
Outra possibilidade é aumentar gradualmente a taxa sobre os salários. A Administração modelou um acréscimo anual de 0,1 ponto percentual na taxa combinada de trabalhadores e empregadores a partir de 2032, até atingir 14,4% em 2051. A taxa dos trabalhadores subiria de 6,2% para 7,2%, com um aumento equivalente para os empregadores. A estimativa é que a medida cubra cerca de 33% do défice de longo prazo. Ao contrário de um imposto aplicado apenas aos rendimentos acima do limite, esta opção afetaria trabalhadores de diferentes níveis de rendimento.
Impostos sobre investimentos e benefícios implicam escolhas
A Administração da Segurança Social também analisou a tributação dos rendimentos de investimento de alguns agregados com rendimentos elevados. Pela proposta, seria aplicada uma taxa de 12,4% ao rendimento líquido de investimento ou ao rendimento acima do limiar definido, consoante o valor que fosse menor. A medida abrangeria contribuintes solteiros com rendimento bruto ajustado superior a 200.000 dólares e casais que entregam declaração conjunta com mais de 250.000 dólares. A receita reverteria para a Segurança Social.
Este imposto acresceria à taxa atual de 3,8% sobre o rendimento líquido de investimento, que incide, em geral, sobre rendimentos de investimento elegíveis e financia o Medicare, não a Segurança Social. A Administração estima que a nova proposta poderia cobrir cerca de 30% do défice de longo prazo.
Os ajustamentos dos benefícios também estão em discussão. A atualização anual do custo de vida (COLA) acompanha a inflação e aplica a mesma variação percentual a todos os beneficiários; por isso, o aumento em dólares depende do valor do benefício de cada pessoa. Uma alternativa seria atribuir a todos o mesmo aumento em dólares, calculado com base no benefício de um beneficiário perto do percentil 20 da distribuição. Essa fórmula poderia favorecer relativamente quem recebe benefícios mais baixos, mas reduziria os aumentos anuais da maioria dos beneficiários.
O AARP Public Policy Institute estima que cerca de 80% dos beneficiários receberiam um aumento menor com um valor fixo em dólares. Em 2026, por exemplo, o trabalhador reformado médio teria um aumento mensal estimado de 34,20 dólares, abaixo dos 57,90 dólares resultantes do COLA efetivamente aplicado nesse ano. A diferença poderia acumular-se ao longo do tempo: segundo a AARP, um reformado hipotético que começou a receber benefícios em 1998 teria, em 2026, um benefício cerca de 20% inferior ao que receberia pelo método atual.
Uma análise encomendada pelo Committee for a Responsible Federal Budget concluiu que aumentos menores para reformados com benefícios mais elevados poderiam cobrir cerca de metade do défice de longo prazo. A Administração da Segurança Social também modelou reduções anuais do COLA de 0,5 ou 1 ponto percentual, estimando que cobririam, respetivamente, cerca de 24% e 46% do défice.
Aumentar a idade de reforma reduziria mais os benefícios antecipados
A idade de reforma completa é atualmente 67 anos para quem nasceu em 1960 ou depois. É possível pedir benefícios a partir dos 62 anos, mas a antecipação reduz permanentemente o valor mensal. Um aumento gradual da idade de reforma completa aprofundaria esses cortes para quem começasse a receber os benefícios mais cedo.
A Administração estima que elevar gradualmente a idade de reforma completa para 68 anos poderia cobrir cerca de 11% do défice de longo prazo; aumentá-la para 69 anos poderia cobrir cerca de 32%. Os eleitores estão divididos: no inquérito realizado em cinco estados, 52% opuseram-se a uma subida gradual da idade de reforma para os trabalhadores mais jovens. Os defensores da medida apontam para a esperança de vida e os custos do programa, mas os efeitos variariam entre grupos.
Trabalhadores mais jovens também podem suportar os custos
Embora ainda estejam longe da reforma, os trabalhadores mais jovens já pagam impostos para a Segurança Social e poderão enfrentar taxas mais elevadas ou benefícios menores no futuro. No cenário de aumento gradual modelado, a taxa paga pelos trabalhadores acabaria por subir de 6,2% para 7,2%. Para alguém com um salário anual de 50.000 dólares, isso representaria mais 500 dólares por ano em impostos para a Segurança Social quando o aumento estivesse totalmente implementado.
O custo de vida, a habitação e as despesas de saúde também condicionam a capacidade dos trabalhadores mais jovens para poupar para a reforma. Num inquérito do Cato Institute realizado em dezembro de 2025, apenas 34% dos inquiridos com menos de 30 anos acreditavam que a Segurança Social ainda existiria quando se reformassem, enquanto 78% esperavam receber menos do que o benefício integral previsto. Noutro estudo, do National Institute on Retirement Security, 45% dos inquiridos da geração Z e 39% dos millennials disseram acreditar que nunca receberiam benefícios da Segurança Social.
O programa inclui também prestações de sobrevivência para filhos e cônjuges elegíveis, bem como benefícios por incapacidade para trabalhadores que deixem de poder trabalhar e cumpram os requisitos. Mesmo depois de as reservas se esgotarem, as receitas correntes continuariam a financiar uma parte substancial dos pagamentos previstos. A decisão em aberto é se o Congresso conseguirá chegar a acordo sobre alterações fiscais, ajustamentos nos benefícios ou uma combinação de ambos antes de 2032.