A Microsoft Copilot delineou um cenário altamente otimista em que o Bitcoin chegaria a US$ 873 mil em 1 de janeiro de 2027. Apresentada em torno da reunião do Comité Federal de Mercado Aberto da Reserva Federal, em 28 de outubro, a projeção depende de várias hipóteses: desde países exportadores de energia usarem Bitcoin em parte das transações internacionais de matérias-primas até fundos soberanos e bancos centrais o incluírem nas reservas. Não se trata de confirmação de mudanças de política ou de compras institucionais.
A procura soberana é central na projeção
À data da publicação, o Bitcoin negociava perto de US$ 80.800, com uma subida de 1,2% no dia e novamente acima dos US$ 80 mil. O cenário da Copilot começa com alguns países ricos em energia a testar liquidações em Bitcoin no comércio de matérias-primas. Numa fase seguinte, fundos soberanos e bancos centrais passariam a deter a criptomoeda como ativo de reserva. Isso poderia alterar a perceção do Bitcoin, de «ouro digital» para uma espécie de «garantia geopolítica digital».
A hipótese pressupõe que governos, empresas, fundos de pensões e investidores individuais disputem uma oferta limitada. Conta também com os ETF à vista a continuarem a absorver Bitcoin disponível, os detentores de longo prazo a manterem a relutância em vender e entidades soberanas a acumularem moedas. Se estas condições se concretizassem, o debate poderia passar de saber se o Bitcoin deve integrar uma carteira de investimento para discutir que peso as instituições lhe deveriam atribuir.
Esses resultados, porém, dependem de fluxos de capital futuros e de decisões políticas. Uma subida de curto prazo acima dos US$ 80 mil não demonstra que essa tendência já esteja em curso.
Projeção usa ganhos de ciclos anteriores
A componente técnica prevê uma rutura prolongada, ao longo de vários anos, com o Bitcoin a atingir entre US$ 150 mil e US$ 200 mil em 2026. Neste cenário, uma subida firme acima dos US$ 250 mil poderia atrair novos fluxos. A projeção compara esse percurso com a valorização de cerca de 20 vezes em 2017 e de sete vezes em 2021. Uma subida de cinco vezes a partir de US$ 175 mil levaria o preço para perto de US$ 875 mil, próximo do objetivo de US$ 873 mil da Copilot. Os ganhos de ciclos passados não garantem que o padrão se repita.
O cenário enumera ainda condições baseadas em dados da blockchain e em gráficos: os saldos de Bitcoin nas plataformas de negociação teriam de cair para menos de 10% da oferta em circulação, os detentores de longo prazo controlariam cerca de 70% das moedas e as instituições continuariam a absorver oferta. A hipótese considera também uma emissão diária de aproximadamente 450 Bitcoin após o halving, com a procura a manter-se forte.
Entre os indicadores técnicos, a média móvel de 50 semanas no gráfico semanal teria de continuar a subir ao longo de 2026, enquanto o índice de força relativa (RSI) mensal se situaria entre 75 e 85. A Copilot aponta ainda uma rutura da zona de resistência entre US$ 100 mil e US$ 120 mil como possível fator de maior atenção do mercado, e refere US$ 500 mil e US$ 1 milhão como níveis psicológicos. São condições integradas numa projeção, não dados de mercado já observados.
Bitcoin Hyper divulga dados da testnet e da pré-venda
O artigo aborda também o Bitcoin Hyper (HYPER), um projeto de camada 2 para Bitcoin desenvolvido em torno da Solana Virtual Machine (SVM). O projeto afirma que pretende disponibilizar contratos inteligentes mais rápidos e reduzir os custos de execução no ecossistema Bitcoin, recorrendo a uma ponte canónica descentralizada e a processamento de baixa latência na camada 2. Segundo a equipa, a testnet e o explorador de blocos estão ativos, e a carteira nativa está aberta a testes da comunidade; são desenvolvimentos comunicados pelo próprio projeto.
O Bitcoin Hyper afirma ter angariado mais de US$ 33,2 milhões na pré-venda, com os tokens a US$ 0,0136877 e cerca de 30 dias ainda disponíveis. Diz também que o staking está aberto aos compradores da pré-venda, com uma taxa anual anunciada de 30%. Estes valores dizem respeito ao HYPER, não à perspetiva de preço do Bitcoin, e não são apresentados como verificados de forma independente.
A projeção de US$ 873 mil depende de várias condições em simultâneo, incluindo adoção soberana, entradas de capital sustentadas, menor oferta disponível e indicadores técnicos favoráveis. O dado de mercado referido é o Bitcoin a negociar perto de US$ 80.800, novamente acima dos US$ 80 mil; os restantes elementos continuam hipotéticos.